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La constance. Une vertu sous-estimée.

Dans quelques jours sortira une nouvelle adaptation cinématographique de L’Odyssée d’Homère. Pourtant, je ne vais pas parler du film. À vrai dire, je ne sais même pas si j’irai le voir. Les adaptations d’auteur des grands classiques ne me séduisent guère. Ce qui m’intéresse réellement, c’est cette histoire qui continue d’émouvoir l’humanité près de trois mille ans après avoir été écrite. Nous vivons une époque fascinante. Jamais auparavant nous n’avons eu accès à autant d’informations, d’opportunités et de technologies. Pourtant, nous vivons aussi sous le règne de l’immédiateté. Nous voulons des résultats rapides, des réponses instantanées et des succès visibles. Tout semble se mesurer à la vitesse avec laquelle nous atteignons un objectif, en oubliant que les choses qui comptent vraiment obéissent rarement à ce rythme. Lorsque nous pensons à Ulysse — Odysseus dans la tradition grecque — nous nous souvenons généralement du héros capable de tromper le Cyclope, de survivre au chant de...

O Deus de Spinoza… e o cérebro que nos divide

 

Supostamente, os seres humanos somos seres sociáveis. Além disso, vivemos em um mundo global, hiperconectado, com acesso quase ilimitado à informação e, no entanto, por que a religião, a política ou a identidade continuam sendo temas que nos dividem?

No século XVII, um jovem neerlandês de origem sefardita, Baruch Spinoza, com um pensamento radical, foi capaz de incomodar cristãos, judeus e muçulmanos. Todos ao mesmo tempo, e por uma única ideia. “Deus não é um ser separado do mundo, mas a própria realidade” (Deus sive Natura), Deus ou a Natureza. Portanto, Deus não pertence a nenhuma religião nem faz distinção entre povos e, além disso, é, em essência, o mesmo para todos.

Quatro séculos mais tarde, o Nobel Santiago Ramón y Cajal, com seus estudos em neurociência, forneceu a chave para compreender por que os seres humanos continuam entrando em conflito.

O cérebro não é uma massa uniforme, mas uma rede plástica de neurônios interconectados, que se constrói e se molda em função das experiências vividas. De certa forma, podemos dizer que não percebemos o mundo diretamente tal como ele é. Nós o reconstruímos e o moldamos individualmente, por meio de previsão e experiência, em função da cultura, da linguagem e de cada uma das situações que vivenciamos.

A partir dessa perspectiva, as religiões, a política, a moral ou a identidade podem ser entendidas como sistemas de interpretação coletiva. Não se trata de uma realidade em si mesma, mas de diferentes maneiras de traduzi-la. Diferentes culturas. Diferentes línguas. Uma simbologia adotada que faz com que vejamos uma superfície distinta, quando o fundo poderia ser o mesmo.

É aqui que a ideia de Spinoza adquire uma nova dimensão.

Se Deus, ou a realidade última que rege as leis do universo, é único e indiferente às nossas categorias, então nossas diferenças não estão nele, mas em nós. Em nossas estruturas mentais, em nossas interpretações.

Observo, não sem certa preocupação, como a sociedade atual está cada vez mais dividida e polarizada, e esse é um fenômeno global. Qualquer pretexto parece suficiente para fomentar a divisão. Tudo isso por aceitarmos dogmas sem questionar sua própria natureza.

E é aqui que entramos em outro debate. As disputas de poder. A manipulação da narrativa. Porque, se nossas diferenças surgem da maneira como interpretamos a realidade, então quem controla o relato? E até que ponto define aquilo que acreditamos ser real?

 


 



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